Cotar seguro viagem
Por Isabelle Soares • Real Seguro Viagem em 22/06/26 às 14:15.

10 destinos no Mercosul para conhecer de carro

Planejar uma viagem de carro pelo Mercosul abre um mapa cheio de possibilidades: cataratas, vinhedos, praias de rio e capitais a poucas horas da fronteira. Se você está montando o roteiro e quer saber quais lugares compensam pegar a estrada, esta lista reúne 10 destinos no Mercosul para conhecer de carro na Argentina, no Uruguai e no Paraguai.

A proposta é direta: mostrar para onde ir, como chegar por via terrestre e o que esperar de cada parada. No caminho, você entende um detalhe que muita gente só descobre na hora de cruzar. Para circular com um carro brasileiro nesses países, a Carta Verde é obrigatória.

Os 10 destinos no Mercosul para fazer de carro

Os 10 destinos desta lista estão em três países vizinhos do Brasil. Quatro ficam na Argentina, três no Uruguai e três no Paraguai. Veja a relação completa antes dos detalhes de cada um:

  1. Puerto Iguazú, na Argentina
  2. Buenos Aires, na Argentina
  3. Mendoza, na Argentina
  4. Bariloche, na Argentina
  5. Colônia del Sacramento, no Uruguai
  6. Montevidéu, no Uruguai
  7. Punta del Este, no Uruguai
  8. Ciudad del Este, no Paraguai
  9. Encarnación, no Paraguai
  10. Asunção, no Paraguai

O que saber antes de cruzar a fronteira de carro

Antes de pegar a estrada rumo à Argentina, ao Uruguai ou ao Paraguai, três coisas precisam estar resolvidas: o seu documento de identificação, a documentação do veículo e os seguros exigidos. O item que mais costuma passar despercebido é a Carta Verde, o seguro obrigatório do veículo no Mercosul.

Para circular entre os países do bloco, brasileiros podem usar o RG em bom estado de conservação, conforme o acordo de documentos de viagem do Mercosul. O passaporte também serve e ajuda caso você pense em estender o trajeto para fora do bloco. Para o carro, leve sempre o Certificado de Registro e Licenciamento (CRLV) e a sua CNH válida.

Quando o motorista não é o dono do veículo, entra outra exigência: uma autorização do proprietário. Esse ponto pesa ainda mais para carro alugado, financiado ou de empresa, e está detalhado no nosso conteúdo sobre autorização de tráfego no Mercosul.

As distâncias mudam muito de um destino para outro. De Foz do Iguaçu, você cruza para Puerto Iguazú ou Ciudad del Este em poucos minutos. Já Buenos Aires, Mendoza e, principalmente, Bariloche pedem dias de estrada e um roteiro dividido por etapas. Convém dimensionar o tempo de viagem antes de fechar o destino.

Pense também na rotina da estrada: pedágios, combustível, horário das travessias e o tempo de fila na aduana. Cruzar a fronteira em dias de menor movimento, e não em vésperas de feriado, costuma poupar horas de espera. Com a documentação em ordem, a passagem fica bem mais rápida.

Na entrada, o veículo passa por uma admissão temporária: ele entra no país vinculado a você, pelo período da viagem, e precisa sair com você. Por isso, não deixe o carro no exterior nem empreste para outra pessoa sem orientação. Guardar o comprovante dessa entrada ajuda na hora de retornar ao Brasil.

Não esqueça o básico de segurança na estrada: respeite os limites de velocidade locais, que mudam de país para país, e evite dirigir à noite em trechos sem iluminação. Manter os faróis baixos ligados durante o dia é exigência em várias rodovias da região.

Atenção também ao dinheiro de estrada. Pedágios, combustível e refeições no caminho costumam ser pagos em moeda local, e nem todo posto ou praça de pedágio aceita cartão brasileiro sem cobrança extra. Levar uma reserva em pesos ou guaranis, além de um cartão internacional, evita aperto em trechos com poucos caixas eletrônicos.

Para guardar de forma simples: Argentina, Uruguai e Paraguai pedem Carta Verde. O Chile, que fica de fora do Mercosul pleno, segue outra regra. (Imagem: Divulgação/Real Seguro Viagem)


Argentina de carro: 4 destinos do roteiro

A Argentina é o destino internacional mais procurado por quem viaja de carro a partir do Brasil. As entradas mais usadas são a Ponte Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu a Puerto Iguazú, e a fronteira de Uruguaiana com Paso de los Libres, porta de acesso ao litoral argentino. Quem quer aprofundar pode conferir o nosso roteiro de carro na Argentina.

Puerto Iguazú, do lado argentino das Cataratas

Puerto Iguazú fica no extremo norte da Argentina, do outro lado do Rio Iguaçu, e é a estreia internacional mais fácil para quem sai do Brasil de carro. A travessia pela Ponte Tancredo Neves leva poucos minutos saindo de Foz do Iguaçu.

Do lado argentino, as passarelas chegam pertinho das quedas e entregam aquela vista molhada das Cataratas do Iguaçu. (Foto: Unsplash/Natalia Prada)


O destaque é o Parque Nacional Iguazú, com passarelas que chegam quase dentro da Garganta del Diablo e um trem ecológico que percorre a mata. A vista do lado argentino é mais próxima da água, o que rende fotos diferentes das que você faz no lado brasileiro.

Reserve um dia inteiro só para o parque, porque as trilhas e o trenzinho tomam tempo. Para fugir das filas, chegue na abertura. Muitos viajantes dormem em Foz e cruzam apenas para o passeio, o que simplifica a logística com o carro.

Vizinho ao parque está o Hito Tres Fronteras, marco onde Argentina, Brasil e Paraguai se encontram, com vista para os dois rios. Como essa é a sua primeira fronteira, deixe os documentos do carro e a Carta Verde organizados antes de chegar à aduana.

Buenos Aires, a capital portenha

Buenos Aires é o destino urbano mais desejado da lista e costuma ser alcançada pela rota do litoral argentino, entrando por Paso de los Libres. É uma viagem longa, que passa de mil quilômetros dependendo do ponto de partida no Brasil, então programe paradas para descanso.

Na cidade, o roteiro clássico passa por San Telmo e suas feiras de antiguidades, pelo colorido Caminito em La Boca, pela elegância de Recoleta e pelos cafés de Palermo. O tango aparece nas calçadas e nas casas de show, e livrarias como a El Ateneo viraram ponto turístico por conta própria.

A Casa Rosada e a bandeira argentina são parada certa na Plaza de Mayo, bem no coração de Buenos Aires. (Foto: Unsplash/Benjamin R)


Para se hospedar, Palermo e Recoleta concentram boa parte dos hotéis e ficam perto dos principais passeios. Um bate e volta tranquilo é o delta do Tigre, a pouco mais de uma hora do centro, bom para um dia mais lento.

Dirigir no centro exige atenção ao trânsito pesado e às regras de estacionamento. Uma estratégia comum é deixar o carro no hotel e circular a pé ou de metrô pelos bairros, que são bem conectados entre si.

Mendoza, a terra do vinho argentino

Mendoza fica no oeste do país, aos pés da Cordilheira dos Andes, e é o coração da produção de vinho da Argentina. O Malbec é a estrela, e as vinícolas se espalham por regiões como Maipú, Luján de Cuyo e o Valle de Uco.

Os passeios pelas bodegas combinam degustação, gastronomia e paisagem de montanha. Quem gosta do tema pode emendar Mendoza com o lado uruguaio no nosso roteiro de vinícolas por Mendoza e Carmelo.

Fileiras de parreiras e os Andes nevados ao fundo: é esse o cenário que espera quem vai provar o Malbec em Mendoza. (Foto: Unsplash/Matt Broch)


A época da vindima, entre fevereiro e março, é a mais concorrida, com a colheita e as festas do vinho. Como muitas bodegas atendem só com reserva, agende as visitas antes de chegar. Além das taças, a região rende rafting, termas e estradas de montanha.

A cidade também serve de base para o trajeto rumo ao Aconcágua, o ponto mais alto das Américas. Por ficar no oeste argentino, Mendoza pede vários dias de viagem desde o Brasil, mas recompensa quem encara a estrada.

Bariloche e os lagos da Patagônia

San Carlos de Bariloche é o destino mais distante desta lista e também um dos mais cinematográficos, encravado na região dos lagos da Patagônia argentina, à beira do Nahuel Huapi. No inverno, vira polo de esqui no Cerro Catedral.

Cercado de montanha e floresta, o visual de Bariloche explica a fama de destino mais cinematográfico desta lista. (Foto: Unsplash/Jeffrey Eisen)


O Circuito Chico reúne mirantes, bosques e praias de lago em um trajeto curto e panorâmico de carro. A cidade tem clima alpino, com chocolaterias na Avenida Bustillo e arquitetura de montanha que lembra os Alpes.

No verão, o foco muda para trilhas, caiaque e praias de lago, com temperaturas amenas. Os arredores do hotel Llao Llao, com vista para a água e as montanhas, rendem um passeio à parte mesmo para quem não se hospeda ali.

De Bariloche parte a Ruta de los Siete Lagos, uma das estradas mais bonitas do continente, rumo a San Martín de los Andes. Por ser longe, o ideal é encaixar Bariloche em uma viagem mais ampla, dividida em etapas, e não como bate e volta.

Uruguai de carro: 3 destinos do roteiro

O Uruguai é o vizinho mais acessível para quem sai do Sul do Brasil. A entrada clássica é pelo Chuí, seguindo pela ruta 9 rumo à costa, e as estradas costumam estar em boas condições. Para um trajeto detalhado, veja o nosso roteiro de carro no Uruguai.

Colônia del Sacramento, história à beira do rio

Colônia del Sacramento, no sudoeste uruguaio, guarda um Barrio Histórico tombado pela Unesco. As ruas de paralelepípedo, a Calle de los Suspiros e o farol antigo formam um conjunto que parece parado no tempo.

Vista de cima, fica fácil entender o apelo de Colônia del Sacramento: casario histórico, barquinhos no rio e ritmo de cidade pequena. (Foto: Unsplash/Miguel Andrade Guerrero)


A cidade fica de frente para Buenos Aires, do outro lado do Rio da Prata, e é uma das paradas mais fotografadas do país. O ritmo é tranquilo, bom para caminhar sem pressa e ver o pôr do sol no rio.

Quem sai do Brasil chega a Colônia depois de cruzar boa parte do Uruguai, em geral via Montevidéu. De lá saem balsas para Buenos Aires, caso você queira deixar o carro e fazer um bate e volta à capital argentina sem dirigir.

Colônia está a cerca de 180 quilômetros de Montevidéu e combina bem com Carmelo, vizinha conhecida pelas vinícolas. Dá para montar um roteiro curto unindo as duas em um ou dois dias.

Montevidéu, a capital à beira da Rambla

Montevidéu mistura praia urbana e capital histórica. A Rambla, calçadão que acompanha a costa por mais de vinte quilômetros, é o cartão de visita da cidade e o lugar onde os uruguaios tomam mate ao entardecer.

Na Ciudad Vieja ficam a Praça da Independência, o Mercado del Puerto e suas parrillas, além de museus e prédios de época. Bairros como Pocitos têm praia movimentada e boa estrutura para se hospedar.

A Rambla acompanha a orla de Montevidéu por mais de vinte quilômetros, ótima para uma parada com mate na mão ao fim da tarde. (Foto: Unsplash/Sebastian Velasquez)


Reserve uma manhã para o Mercado del Puerto, point das churrascarias no centro, e outra para o Mercado Agrícola, mais moderno. De Montevidéu também saem bate e voltas curtos, como o de Piriápolis, balneário tranquilo a leste.

Para os apaixonados por futebol, o Estádio Centenário abriga o museu que conta a história da primeira Copa do Mundo. A chegada de carro pela costa, vindo do Chuí, torna a capital uma parada natural no caminho até o leste do país.

Punta del Este, praia e badalação

Punta del Este é o balneário mais famoso do Uruguai, a leste de Montevidéu. A escultura Los Dedos, a mão que emerge da areia, é o ponto mais reconhecível da cidade e parada certa para fotos.

Por ali estão praias de mar agitado e de águas calmas, portos com iates e uma vida noturna que ferve na alta temporada, entre dezembro e fevereiro. A Casapueblo, em Punta Ballena, é um passeio à parte para ver o pôr do sol.

A marina lotada de iates resume bem o clima de Punta del Este, o balneário mais badalado do Uruguai. (Foto: Unsplash/Sergio Arteaga)


Fora da alta temporada, os preços caem bastante e a cidade fica mais calma, opção boa para quem foge de multidões. La Barra concentra a noite mais jovem, com bares e restaurantes à beira da estrada.

Quem prefere sossego pode seguir mais um pouco até José Ignacio, vilarejo elegante e bem mais calmo. De carro, o trecho entre Montevidéu e Punta del Este é curto e fácil, o que facilita combinar os dois destinos.

Paraguai de carro: 3 destinos do roteiro

O Paraguai entra no roteiro pela Ponte da Amizade, que liga Foz do Iguaçu a Ciudad del Este. Dali, a Ruta PY02 segue rumo ao interior e à capital. Para dicas de rota e segurança, veja como é descobrir o Paraguai de carro.

Ciudad del Este, compras na fronteira

Ciudad del Este é a segunda maior cidade do Paraguai e um dos maiores polos de compras da América do Sul, logo após a Ponte da Amizade. Eletrônicos, perfumes e itens importados atraem brasileiros o ano inteiro.

Além das compras, a região reúne atrativos como a Usina de Itaipu, compartilhada com o Brasil, e os Saltos del Monday, cachoeiras a poucos quilômetros do centro. Dá para unir consumo e natureza no mesmo dia.

Para compras mais tranquilas, vá cedo, leve documento e mantenha as sacolas organizadas. A visita à Itaipu tem horários definidos e ingressos próprios, então confira a programação antes de ir, sobretudo no lado paraguaio.

A Ponte da Amizade liga Foz do Iguaçu a Ciudad del Este e é a porta de entrada do Paraguai; no fim da tarde, rende uma das melhores fotos da viagem. (Foto: Creative Commons/Leonard.inc)


Atenção a um ponto prático na volta: a Receita Federal define uma cota de isenção para compras em terra. Confira os valores vigentes e guarde as notas para não ter surpresa na hora de cruzar de volta para o Brasil.

Encarnación, praias de rio e ruínas jesuíticas

Encarnación é conhecida como a Pérola do Sul do Paraguai e surpreende pelas praias de rio às margens do Paraná, como a Playa San José, com areia e estrutura de balneário. No verão, a cidade ferve com o seu carnaval, um dos mais animados do país.

Bem perto estão as Ruínas Jesuíticas de Trinidad e Jesús, conjunto tombado pela Unesco que conta a história das missões na região. A visita ao fim da tarde, quando há iluminação especial, costuma ser a mais lembrada por quem vai.

A velha locomotiva virou ponto de foto em Encarnación e ainda anota as distâncias até Asunção e Buenos Aires, lembrando que por aqui tudo se mede em quilômetros de estrada. (Foto: iStock/Jan Schneckenhaus)


A Costanera de Encarnación é o ponto de encontro ao entardecer, com vista para o rio e movimento de moradores e turistas. O carnaval acontece entre janeiro e fevereiro, e nesse período a cidade lota, então reserve hospedagem com antecedência.

Encarnación liga-se a Posadas, na Argentina, pela ponte San Roque González, o que abre a opção de combinar Paraguai e Argentina no mesmo trajeto. É um destino que rende dias agradáveis sem grandes distâncias internas.

Asunção, a capital histórica do Paraguai

Asunção, capital e cidade mais antiga do país, fica às margens do Rio Paraguai. O centro histórico concentra o Palácio de Los López, o Panteão Nacional dos Heróis e a Manzana de la Rivera, casario colonial restaurado.

A Costanera, avenida à beira do rio, é boa para caminhar e ver o entardecer. Para sentir o cotidiano local, o Mercado 4 reúne comércio popular, comidas típicas e o burburinho da cidade.

Nos arredores, San Bernardino e Areguá funcionam como escapadas de fim de semana, com lago e clima de interior. Para comer bem, prove a sopa paraguaia, que apesar do nome é um salgado assado, e a chipa, o pãozinho de queijo local.

A fachada rosada do Palácio de los López dá o tom do centro histórico de Asunção, boa última parada de quem sobe o Paraguai de carro. (Foto: Unsplash/Tobias Meza)


De Ciudad del Este, são cerca de 325 quilômetros até a capital pela Ruta PY02, em estrada movimentada. Por isso, organize as paradas e dirija com atenção redobrada nesse trecho.

Melhor época para essa viagem de carro

Não existe uma única melhor época para todos os destinos, porque o roteiro cruza praia, montanha e cidade. A escolha muda conforme o que você quer ver e o tipo de clima que prefere encarar na estrada.

No verão, entre dezembro e fevereiro, as praias do Uruguai e as praias de rio do Paraguai vivem o auge. Punta del Este e Encarnación ficam cheias e animadas, com preços de alta temporada. Em compensação, o calor aperta no Paraguai e no norte da Argentina, e algumas estradas pegam chuva forte no fim da tarde.

O outono, de março a maio, traz clima ameno e é a janela da vindima em Mendoza, quando as vinícolas colhem as uvas e promovem festas do vinho. É também uma boa fase para Buenos Aires e para dirigir com temperaturas agradáveis, sem o calor do verão nem o frio do inverno.

No inverno, de junho a agosto, Bariloche e o Cerro Catedral viram destino de esqui e neve, enquanto o sul do continente fica frio. Quem foge do calor curte capitais como Buenos Aires e Montevidéu mais fresquinhas. No litoral, porém, o inverno esvazia as praias e fecha parte da estrutura turística.

A primavera, de setembro a novembro, costuma ser a janela mais equilibrada para um roteiro que mistura vários destinos. As temperaturas ficam moderadas em quase toda a região, as estradas pegam menos chuva e os preços ainda não chegaram ao pico do verão.

Uma ressalva: as Cataratas do Iguaçu rendem a visita o ano inteiro, com volume de água que muda conforme as chuvas. Já nos feriados prolongados, brasileiros e argentinos lotam as estradas e as fronteiras, então, se der, fuja dessas datas para dirigir com mais folga.

Como os 10 destinos se espalham por três países e por distâncias bem diferentes, poucos viajantes fazem todos de uma vez. O mais comum é escolher um eixo por viagem: o do Sul, com Uruguai e litoral argentino; ou o de Foz, com Cataratas, Itaipu e Paraguai. Dividir o roteiro em etapas deixa cada parada mais aproveitável e a estrada menos cansativa.

Carta Verde: o seguro obrigatório dessas viagens

A Carta Verde é um seguro obrigatório de responsabilidade civil para veículos brasileiros que entram na Argentina, no Uruguai e no Paraguai. Ela cobre os danos que o seu veículo causar a outras pessoas durante a circulação internacional. Segundo a SUSEP, foi instituída pelo Grupo Mercado Comum do Mercosul e implantada no Brasil pela Circular SUSEP nº 10/1995.

Em resumo, o seguro garante a cobertura de morte e danos pessoais, despesas médico-hospitalares e danos materiais causados a terceiros que não estavam dentro do seu veículo. Os limites costumam ser de US$ 40 mil por pessoa para danos corporais e US$ 20 mil para danos materiais por terceiro, conforme a regulamentação do Mercosul.

O que a Carta Verde não cobre também precisa ficar claro. Ela não paga o conserto do seu próprio carro, não atende os passageiros do veículo e não entra no lugar do seguro auto nem do seguro viagem. Para entender o produto a fundo, veja o conteúdo sobre o que é a Carta Verde.

⚠️ A placa Mercosul não substitui a Carta Verde. Mesmo com o novo padrão de placa adotado pelo Brasil, o seguro continua obrigatório para cruzar a fronteira com o veículo.

Quando emitir e qual validade escolher

O melhor caminho é emitir a Carta Verde antes de viajar, com a validade cobrindo todo o período em que o carro ficará fora do Brasil. O seguro pode ser contratado de 3 dias a 1 ano, e hoje a emissão é digital, conforme a Circular SUSEP nº 614/2020.

Os valores partem de cerca de R$ 46 para três dias e mudam por faixa de duração, com o prêmio expresso em dólar e pago em reais. Você pode emitir a Carta Verde online e conferir a tabela completa por período.

Para emitir, tenha em mãos os dados do veículo, como placa, chassi, marca, modelo, ano e cor, além do país ou países de destino e as datas de ida e volta. Com tudo separado, o preenchimento sai em poucos minutos.

Em roadtrips que passam por mais de um país, a mesma apólice cobre os destinos indicados nela, desde que estejam dentro do prazo contratado. Por isso, escolha a validade pensando na ida, na volta e em eventuais dias extras. O passo a passo está no nosso guia de como fazer a Carta Verde.

Quem dirige: proprietário, terceiro ou carro alugado

Como regra, a Carta Verde é emitida no nome do proprietário do veículo. Quando outra pessoa vai dirigir, é preciso uma autorização própria, em geral com firma reconhecida em cartório, liberando o uso do carro no exterior.

Para carro alugado, financiado ou registrado em nome de empresa, podem existir documentos adicionais. Conferir isso antes de viajar evita problemas na aduana e em uma eventual blitz e fiscalização na Argentina, Uruguai e Paraguai.

Os dados do veículo, do condutor e do período da viagem precisam entrar corretos na apólice. Como qualquer ajuste exige cancelar e refazer o documento, cotar e emitir com alguns dias de antecedência dá tempo de revisar tudo com calma antes de pegar a estrada.

Carta Verde, seguro viagem e SOAPEX: diferenças

A Carta Verde cuida do veículo perante terceiros. O seguro viagem cuida de você: assistência médica, bagagem, cancelamento e imprevistos pessoais, conforme as coberturas do plano contratado. São proteções diferentes, e uma não entra no lugar da outra.

Pense em um acidente de trânsito no exterior. A Carta Verde responde pelos danos que você causar a terceiros, enquanto o seguro viagem cobre o seu atendimento médico e o de quem viaja com você. O sistema público de saúde dos países vizinhos costuma cobrar turistas, então essa cobertura pessoal pesa no orçamento de uma emergência.

Diferente da Carta Verde, o seguro viagem não é exigido por lei para circular com o carro pelo Mercosul. Ainda assim, costuma ser recomendado em qualquer viagem internacional, porque um atendimento médico particular no exterior pode sair caro. Em uma roadtrip longa, com dias na estrada e atividades ao ar livre, essa proteção pessoal ganha peso.

Há ainda uma terceira sigla que confunde. O Chile não integra o Mercosul pleno e não aceita a Carta Verde. Para entrar de carro no território chileno, o seguro exigido é o SOAPEX. Quem pensa em incluir o Chile no trajeto pode ler o nosso guia de seguros do Mercosul.

Resumindo a diferença: a Carta Verde protege terceiros, o seguro viagem protege você e o SOAPEX é a regra do Chile. (Imagem: Divulgação/Real Seguro Viagem)